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Diz a lenda que o rock gótico começou na Europa no início dos anos 80, podendo-se considerar seu marco inicial o suicídio de Ian Curtis, vocalista da banda inglesa Joy Division. Idolatrado pelos góticos como Bob Marley é pelos rastafaris, acabou influenciando toda uma geração de bandas que estavam começando, dentre elas Legião Urbana e INXS.

Essa história, o caro leitor já pode até conhecer. Mas e a explicação de todos os mitos que envolvem esse movimento?

O principal mistério é: por que raios andar somente à noite e vestido todo de preto? Pode deixar que eu respondo: pelo simples fato de quererem se diferenciar dos punks e hippies. Mas ainda há outras explicações sobre a roupa preta.

Uns a adotaram apenas por gostarem da cor, outros por se identificarem com o “clima” que ela proporciona, também só para chocar com o impacto visual… Como nos últimos séculos o preto tem sido utilizado como a cor do respeito aos mortos, muitos outros começaram a usá-la, talvez pela perda de grandes artistas como Curtis.

Claúdia Silvério, de 27 anos, é casada e leva uma vida normal durante o dia. Cuida de sua casa, dos quatro filhos e à noite incorpora seu estilo com uma maquiagem pesada e roupa preta. “Há treze anos faço parte do movimento gótico. Gosto de me vestir assim, ouvir músicas depressivas e sempre que posso vou ao cemitério”.

Já quanto a andar somente à noite, vem outra dúvida, com várias explicações: pelo visual que usam, é quase impossível ser vistos como pessoas normais durante o dia, tanto pelo clima (no caso do Brasil) como pela formação cultural dos outros. A noite também tem, por si só, um toque misterioso e depressivo.

Por que viver tão isolados e curtir uma música com letras tão depressivas? Os mais antigos contam que Ian Curtis se matou, basicamente, por dois motivos: seus problemas de saúde e os desentendimentos com sua esposa, Débora. Sofrendo ataques sucessivos de epilepsia (que às vezes aconteciam até durante os shows e não eram percebidos nem pela banda), o fato é que Ian tinha uma grande presença no palco. Enquanto cantava, fazia movimentos que foram chamados de dança epiléptica (não é piada não!). Era um jeito tão diferente de se expressar que poderia ser até confundido com seus ataques, a ponto de ninguém percebê-los.

As letras do Joy Division eram depressivas ao extremo, refletindo as angústias pessoais daquele que as escrevia. Bandas que surgiram tanto em sua época como após sua morte se influenciaram muito por elas, aperfeiçoando a sua sonoridade.

Para quem já era fã do Joy Division, foi um passo para conhecer e começar a curtir o que estava aparecendo. Já a viver isolados, quem está depressivo vai querer companhia?

Por quê essa fixação por cemitérios? Existe uma paixão do gótico pelo medieval: desde o tipo de escrita até a arquitetura e as roupas (a vocalista da banda Siouxsie and the Banshees, por exemplo, na maioria das vezes só se vestia com roupas inspiradas nessa época).

Os cemitérios possuem dois elementos que fascinam os góticos, sua arquitetura (lápides muitas vezes com anjos e figuras que lembram o medieval) e a paz. É um lugar de total tranqüilidade!

As pessoas vão para lá para cantar e tocar violão, dançar, organizar saraus de leitura… ou não fazer nada! “Tiro muitas fotos quando estou no cemitério, das imagens de anjos e das grandes arquiteturas. O cemitério é o local ideal para conversar com os amigos, ler poesias e meditar, é o lugar mais tranqüilo que encontrei para me livrar de minhas neuras”, disse Kelly Luziari Varin, de 24 anos.

Ainda quanto ao visual, por que se maquiar? A maquiagem não é um acessório obrigatório que todos adotaram, ela é mais utilizada para incrementar o visual. Ela não tem um significado especial para a maioria dos que a usam, é usada apenas para manter o visual depressivo.

Bem, agora, com certeza, suas dúvidas sobre o movimento gótico, ou pelo menos algumas delas, foram esclarecidas. Não é mais necessário se espantar, e ficar sem entender quando ver aquela “horda negra” indo rumo a um cemitério. Eles só estão buscando paz…

Por acaso você já viu um pessoal que se veste todo de preto, geralmente maquiado com olhos escuros e pele pálida e que são conhecidos por visitarem cemitérios à noite? Eles são chamados de góticos e costumam vagar pelas grandes metrópoles do Brasil assustando as pessoas mais conservadoras com seu visual pesado e sombrio.

O estilo gótico surgiu na cena pós-punk dos anos 80 com bandas como Joy Division, The Sisters of Mercy, Bauhaus, Siouxsie and the Banshees, The Cure entre outras. O termo gótico define um estilo arquitetônico medieval de igrejas dos séculos 12 a 15 na Europa. Durante a Idade Média, a invasão de povos bárbaros influenciou a arte européia com imagens de monstros como as gárgulas e os vampiros, por exemplo. Daí os góticos tiraram o gosto pelo sinistro e uniram ao ideal romântico de viver a vida – o sofrimento por amor, o interesse pelo além etc.

Para Javier Muniain, 17, que tem o estranho apelido de “Anjo em Pranto”, o gótico é uma cultura. “Não é algo fechado. Cada gótico tem sua idéia do que é ser gótico”, diz. Ele mesmo é um integrante desta tribo e explica que os góticos adoram literatura, artes plásticas, música e cinema. Ele quer ser cineasta, estuda teatro e tem uma vida como qualquer outro garoto da sua idade – estuda, namora, freqüenta baladas góticas com os amigos. É claro, que tudo em sua vida está muito ligado à um mundo de trevas. Lembra do Batman? O visual gótico é como o das histórias deste herói – cidades escuras, pessoas atormentadas e um mundo de fantasias que faz a gente ter medo da própria sombra. Segundo Javier, o rótulos são uma limitação e a personalidade da pessoa não é influenciada pelo pensamento gótico, mas ao contrário – pessoas que já tem uma inclinação para gostar de coisas mórbidas é que se identificam com o mundo gótico.

Elen Cristina de Souza, 17, também acredita que o mundo gótico acolhe pessoas que já se sentem “diferentes”. “É um estilo especial de viver, uma filosofia diferente, um mundo mais romântico”, diz. Elen, que só sai depois das 20 horas, explica o interesse que muitos góticos têm por cemitérios (eles pulam os muros de madrugada e muitas vezes são pegos pela polícia): “É um lugar calmo para refletir sobre a vida onde as pessoas conversam, bebem vinho e, às vezes, fazem amor”.

Muitas pessoas acham que os góticos incentivam o suicídio, mas, para Elen, suicidar-se nada tem a ver com ser gótico, mas com ter problemas e querer fugir deles. Ela diz que já pensou em suicídio por causa de uma crise de depressão – doença muito comum entre adolescentes – e não por conta da filosofia de sua tribo. Elen, como a maioria dos góticos de São Paulo, freqüenta o Madame Satã – bar de São Paulo onde todo mundo costuma dançar sozinho virado para a parede como forma de introspecção.

Um lugar ótimo para conhecer gente diferente e encontrar pessoas que pensam como você, é a Internet. Muitos góticos têm blogs e sites o que facilita o encontro e a comunicação entre eles. Ana Lúcia, 20, é uma gótica escritora e fotógrafa que tem dois blogs o Câmara Obscura e o Goth. “A Internet é um tremendo espaço para colocar suas idéias e falar sobre cultura”, explica Ana. E, além disso, é grátis! Todo mundo pode ter seu site e seu blog e trocar informações e conhecer gente.

Ana não anda sempre vestida “à caráter” – com roupas escuras e maquiagem pesada. Ela explica que teve de se adaptar ao mundo: “No trabalho, por exemplo, não dá para ir vestida assim”. Ana estuda jornalismo e já faz fotos no melhor estilo gótico.

Jogos de RPG costumam instigar esse lado fantasioso dos góticos porque assim eles podem viver um personagem, ser alguém diferente. Segundo Ana, esse jogo “abre campo para a imaginação das pessoas”.

Parece que para todos os góticos entrevistados, o visual importa bastante, mas ao contrário do que a maioria das pessoas costumam pensar, ele é apenas uma maneira de exteriorizar o que esse pessoal tem dentro de si. Usar roupas escuras, usar maquiagem e agir de um jeito “meio estranho”, como diz Ana, é só uma maneira de a pessoa expressar melhor ao mundo quem é de verdade.

Todos eles se tornaram góticos não porque o visual os atraiu, mas porque já se sentiam diferentes e acabaram achando gente que pensava como eles.

São Paulo – Pelas ruas da cidade é possível encontrar pessoas das mais variadas tribos: punks, clubbers, hippies, entre muitas outras. Os góticos, por exemplo, vestem-se de preto, usam maquiagem escura, preferem uma literatura que se aproxime mais do mórbido, vão à cemitérios e, em geral, são pessoas bem interessadas por arte e cultura. É possível encontrar um gótico à noite, mas eles tem seu espaço em bares, casas noturnas e lojas.

Segundo a estudante do ensino médio, Bárbara Thompson, 16, góticos são pessoas tristes com o mundo em que vivem, e o enxergam de outra forma. Em seus trabalhos artísticos, a escuridão torna-se uma característica marcante retratando um mundo de dor, rejeição e tristeza. Para muitos isso se dá pelo fato de serem pessoas, em sua grande maioria, sensíveis.

A Internet tem servido atualmente para divulgar essa cultura, possibilitando uma maior troca de informações. O metalúrgico Rodrigo Quintaneiro, 24, diz que “ser gótico é encontrar, e cultivar em si a essência que tende à solidão, ao noturno, sombrio”. Ele é um dos responsáveis pela produção do site Spectrum Gothic, dedicado a informar sobre cultura gótica e assuntos relacionados.

O universo dessa tribo urbana pode ser encontrado em diversos meios de expressão, porém não é tão fácil encontrar alguém dessa tribo, ao menos que se procure em locais voltados para esse segmento. “Enquanto a maioria dos movimentos sócio-culturais (ou tribos urbanas) busca a exposição, socialização e o consumismo, o movimento gótico se opõe. Os góticos preferem a solidão, evitam se expor e não são adeptos do consumismo massificado”, afirma Rodrigo Quintaneiro.

Segundo o DJ Cid Vale Ferreira, do site Carcasse – Comunidade Virtual da Arte Obscura, o gótico paulista não mantém os traços do gótico inicial. Em eventos como o RIP, que ocorre quinzenalmente no bar Salamandra (casa noturna localizada no Bairro de Pinheiros) o movimento sobrevive basicamente pela sociabilidade desse pessoal pois ocorre uma troca muito grande de informações.

Bandas como Bauhaus e The Cure, escritores como Edgar Allan Poe e Lord Byron, fazem parte da cultura dessa tribo. “A arte anda junto com o gótico, enfim, muitas coisas fora da compreensão humana e que causam fascínio pelo obscuro”, diz Bárbara Thompson a respeito das formas de expressão góticas.

“Meu trabalho mescla, basicamente, cultura pop à coisas mórbidas, macabras. Sempre trabalho a partir do preto e depois parto para outras cores. Uma referência muito forte são pessoas fossilizadas. Uso muito materiais que se aproximam do fóssil”, declara o ilustrador, artista plástico e cineasta Victor Hugo Borges. Ele afirma que ideologia é falsa, pois é algo totalmente mutável.

“Isso pode ser comprovado pela história da arte: os renascentistas usavam o termo gótico para descrever a arte bárbara; no século XVIII, o gótico passou a ser sinônimo de literatura de horror, no século XX, está muito ligado ao cinema de horror; que depois absorveu a estética de horror clássica do século XVIII”, afirma Cid Vale Ferreira, a respeito das transformações pelas quais o termo gótico já passou.

Roupas pretas, gosto pela melancolia, tristeza, fazer saraus em cemitérios… Estas podem ser as características para se definir uma pessoa gótica. Mas será que realmente existe uma definição?

Segundo muitos não existe uma verdadeira definição para o que é ser gótico; pois não é um movimento e assim não há características pré-definidas para serem listadas. O termo surgiu há muito tempo, com os Godos, um povo germânico vulgarmente chamado de Bárbaros e que foram os primeiros germânicos a se converterem ao cristianismo. Mesmo esse povo e sua cultura não tendo nada em comum com o estilo gótico é sempre bom lembrar a origem do termo.

Mas pode-se dizer que os góticos gostam da noite, da vida e também da morte, da literatura, da arte, da solidão, do ocultismo, do amor. O mundo dos góticos não pode ser muito caracterizado, cada um define-se de uma maneira. Segundo Leandro Formagi, o Coruja, “o verdadeiro gótico é aquele que consegue enxergar a arte por trás da escuridão. É aquele que consegue transformar a tristeza e a melancolia em poesia”. Já Ana Lucia Bertolani, acredita que quem tem a poesia obscura na alma e encontra refúgio na música, arte e estilo de vida que expressa obscuridade poética, pode se considerar gótico. Segundo muitos góticos a confusão chega a ser tanta que alguns já a ouviram perguntas absurdas como se góticos bebem sangue de criancinhas, se dormem em caixão, se é muito usado magia negra ou necrofilia, entre outros absurdos.

O motivo estaria na ligação que muitas pessoas acabam fazendo erroneamente, quando vêem os góticos como vampiros; pois há uma grande confusão por ambos terem gosto pela vida noturna, romantismo mórbido, a maneira de se vestir, caracterizadas por trajes antigos usados nos filmes. Mas principalmente porque grande parte dos góticos tem o costume de freqüentar cemitérios, mesmo durante a noite. Um hábito que pode parecer estranho para quem não entende, mas que segundo Coruja é muito simples. Nos cemitérios encontra-se paz. “É um local tranqüilo, onde pode-se escrever poemas, sem barulhos ou medo de ser assaltado”, afirma. Ainda segundo Coruja, o problema de freqüentar cemitérios está nas pessoas que entram durante a noite para promover saques, acabando por deixar a culpa nos góticos, que utilizam o local apenas como fonte de inspiração, respeitando e de certa forma protegendo o cemitério. Ana Lucia complementa dizendo que “a fixação por cemitérios é maior no sentido intelectual, por expressarem a arte gótica e principalmente inspiração”, mas Coruja explica e finaliza: “O que é escuridão para a maioria, é a fonte de criação para os góticos”.

Livro guia para a cultura dark mostra como ela atravessou
os tempos e firmou-se entre as mais fortes influência do mundo moderno.

O que Batman, o escritor Edgar Allan Poe, o roqueiro Jim Morrisson e o cineasta Tim Burton têm em comum? Todos eles são legítimos representantes de uma visão de mundo que enxerga a realidade através de um vidro obscurecido e vivem seus sentimentos de forma melancólica. Em outras palavras: eles são góticos.

De uma maneira até mais original do que aquele estereótipo do jovem que usa roupas pretas de couro, adornos em forma de crucifixo e se isola dos outros freqüentando cemitérios ou lugares abandonados. Se você ainda não está convencido de que pode ser também um “pouquinho” gótico, dê uma folheada no caprichado livro Goth Chic – Um Guia Para a Cultura Dark, escrito pelo jornalista inglês Gavin Baddeley. Dividido em capítulos que mostram as influências do gótico na construção da cultura moderna, o autor ilustra seu guia com imagens bem conhecidas do grande público – como os personagens Drácula, Wolverine, Buffy – A Caça-Vampiros, ou os integrantes da Família Addams. Mas não deixa de mostrar de onde surgiu a inspiração de seus criadores ou como esses ícones famosos na TV e no cinema moderno têm raízes que remontam aos contos da Idade Média.

O que é gótico?

Pode-se dizer que a visão gótica do mundo sobreviveu a mudanças históricas e se manteve viva graças ao seu caráter originalmente underground. A cultura dark sempre se manteve viva graças ao número de valiosos artistas que se identificam e contribuem com ela. O inglês Gavin Baddeley cita nomes importantes no decorrer dos dez capítulos de Goth Chic e explicita o que tem em comum gente como o autor Lord Byron, a escritora Susan Sontag ou o cineasta Oscar Wilde (com seu O Retrato de Dorian Gray).

Logo na introdução, ele explica como pessoas de épocas e comportamentos tão distintos, podem estar unidas por uma mesma linha característica de pensamento. “O gótico é uma barbárie sofisticada. É a paixão pela vida coberta pelo simbolismo da morte. É um amor cínico pelo sentimento. É uma combinação de extremos como sexo e morte. É utilizar a escuridão para iluminar”, diz.

O livro aborda as principais características e os nomes mais importantes do gótico. Defende também que esse modo tão particular de ver o mundo está praticamente no DNA humano. O indivíduo é quem escolhe (insconscientemente) se vai – ou não – ficar imerso em seu lado melancólico. Aqueles que produziram dentro desse universo estão distribuídos em capítulos que falam de música, cinema, literatura, HQs, moda e até mesmo comportamento. Sexo e violência são elementos fundamentais na construção da imagem gótica.

Além de ser um excelente guia para entender o gótico muito além do conceito do senso comum, Goth Chic – Um Guia Para a Cultura Dark traz farto material fotográfico. Isso torna a obra ainda mais interessante de ser folheada. Depois de Goth Chic, você irá assumir seu lado mais obscuro. O livro Goth Chic pontua o universo gótico e mostra como ele é importante na cultura pop atual.

Trevas no cinema, nos quadrinhos e na TV

Tim Burton é um dos cineastas que mais ajudam a entender o conceito de gótico. Qualquer um de seus filmes – de Edward Mãos de Tesoura (1990) à animação Noiva-Cadáver (2005) -, traz a morte como personagem fundamental da trama. E não é à toa que o ator Johnny Depp é o preferido para os longas de Burton: quando se pensa em astro hollywoodiano, Depp tem o mesmo talento para o dark que Bella Lugosi tinha para os filmes de terror do começo do século.

O cinema e a TV contribuíram – e muito – para difundir essa cultura. Seja por meio de produções de terror, seja através de séries de humor negro, o gótico se aproveitou dos meios de massa mais potentes para fincar suas características na modernidade e influenciar gerações. Quem lê as aventuras de anti-heróis como Spawn, Constantine ou Batman pode não saber que seus criadores se classificam entre legítimos representantes da cultura gótica. Mas os elementos principais estão lá: histórias mórbidas, ambientes sombrios, heróis egoístas e vilões cuja maldade é quase psicótica.

A vingança autodestrutiva é um poderoso tema gótico. Pode ser vista nos quadrinhos de Batman, Sin City, Motoqueiro Fantasma, ou em personagens como O Corvo, Lobisomem e Drácula. Entre os escritores, Stephen King, Edgar Allan Poe, Marquês de Sade e, claro, Anne Rice, são exemplos da literatura gótica.

As mulheres na cultura gótica ultrapassam os limites da sensualidade e perigo típicos da femme fatale noir. São literalmente agressivas, violentas. Causam arrepios de medo e de desejo ao mesmo tempo. Um exemplo é a Mulher-Gato, idealizada nas HQs (e que não tem nada a ver com aquela interpretada por Halle Berry em filme homônimo). Michelle Pfeiffer consegue transportar essa belicosidade feminina para as telas como a Mulher-Gato de Batman – O Retorno (1992). Outra atriz que se encaixava nessa definição gótica da mulher foi a polonesa Ingrid Pitt, que se tornou a mais famosa heroína de filmes de terror na década de 70, sendo o mais popular deles o thriller A Condessa Drácula. Em Goth Chic, o autor Gavin Baddeley trata Ingrid como “a gata gótica sedenta por sangue”.

A cor negra não é a única característica que marca a influência gótica na moda que vemos nas ruas por conta do inverno. O preto ocupa grande destaque, mas o gótico também é marcado pela presença de batas leves com decotes profundos e tecido transparente. Elas são inspiradas nas camisolas que as vampiras usavam para seduzir suas vítimas nas histórias de terror. Casacos e camisas de estilo vitoriano também têm um “quê” de dark. Faz parte do anti-herói ser elegante, mesmo que trilhe caminhos obscuros da existência.

Existe em Portugal a idéia de que os “góticos” são todos seres soturnos, que gostam todos de cemitérios, que nenhum admite ir à praia, que são tristes e melancólicos. A tristeza e melancolia sim, face aos preconceitos e desconhecimento dos seus ideais e origens culturais. Há nas reuniões de gente vestida de negro uma alegria e romantismo que se reflete metaforicamente através da lua. O seu “satélite do amor”. No entanto, alguns, não sabem colocar limites às necessidades teatrais. Afinal, o que os distingue?

Imagine uma história que recorra à crueldade e perversidade como forma de glorificar a virtude – que no final sempre triunfa. Uma donzela virtuosa, um herói apaixonado e um vilão que não olha a meios para obter os seus fins. A isto, acrescente as forças ocultas do sobrenatural e um ambiente tenebroso. “Tempere” depois, com os seguintes elementos: a existência de um antigo manuscrito; magia; fantasmas ou espectros; loucura e sonhos proféticos; um castelo antigo ou em ruínas; obras de arte, armaduras e espadas ferrugentas; crimes e imenso sangue; religião católica; Itália; e a Natureza como “leit-motif”. Resultado: a essência do “Gótico”. Com estes “condimentos” é fácil apontar o dedo.

A defender a causa está a estilista e criadora da marca DarkVenus Fashion, Vanessa Virgílio. “Ser gótico é ser livre de fazer o que se sente, amar, sonhar, criar… Simplesmente existe uma maior ligação à morbidez, ao melancolismo, aos elementos da natureza, às artes, à poesia, à música e ao vestir–se de preto, à maquiagem carregada ou não. “Ser Gótico” é mostrar ao mundo, à sociedade, que existem pessoas com maior sensibilidade, que sendo assim, mostram-se de forma a chocar a normalidade. Apesar de tudo gosta-se de ser assim. Um Gótico quer ser visto naturalmente como pessoa normal sendo diferente, como se passa lá fora na maior parte dos países. Em Portugal, as pessoas Góticas são muito apontadas por se vestirem ou pensarem diferente da normalidade. Espero que estes preconceitos e idéias erradas em relação a este estado de estar na vida, acabem brevemente, já que no estrangeiro a educação e civismo das pessoas é extremamente superior.”

Para Sara Patrão, 28 anos, sócia e relações públicas do CultoClub, em Cacilhas, a origem dos preconceitos está no desconhecimento generalizado das origens e desenvolvimento ao longo da história do conceito de Gótico. “A origem do termo Gótico, vem dos Godos, uma tribo germânica do século III / IV. Mas foi no século XIX, através da novela gótica, os autores chamados “satânicos” ou laquistas, o Locus Horrendus, os românticos com toda a sua teatralidade estética (olheiras, vestimenta negra), o interesse pela anatomia (nomeadamente o esqueleto humano e todos os seus ossos), os cemitérios, os romances de cavalaria, o morrer por amor, as ruínas, as pinturas soturnas, o sangue e toda uma panóplia de interesses que mais tarde criaram os clichés”.

Em Portugal, o movimento, apesar de já bastante difamado, ainda é recente. “O Gótico surgiu nos meados dos anos 90, mas apenas em ambientes restritos. As pessoas encontravam-se em concertos, festas organizadas que envolviam sempre música e moda (o modo de vestir identificava as pessoas). Atualmente, o Gótico manifesta-se com maior força na faixa etária mais jovem, dos 15 aos 25 anos. Existem sites onde ainda se pode ouvir música Gótica: Tocsin, Jukebox, Disorder, Festas Graveyard Sessions – em Lisboa. Em Almada, o Lado Negro bar e o Culto bar. Em Setúbal: o La Bohême, e no Porto: o Heavens Gothic bar. Também existe lugar para a moda Gótica: vestuário e acessórios por medida com influências medievais, góticas, lolita, cyber, fetiche e punk, podem ser adquiridos na loja Darkfashion”, explica Vanessa Virgílio.

Se o negro é a cor base na indumentária Gótica, também na música ela é predominante. Bandas como Siouxsie and the Banshees, The Damned, Bauhaus, The Cure, Joy Division, Sisters of Mercy, UK Decay, Fields of the Nephilim são no entender da estilista “muito importantes na manifestação do Gótico”. Também a literatura ajudou a consolidar o movimento. Shakespeare é exemplo disso, ao utilizar, nas suas peças, uma parte dos elementos que se encontram na escola gótica, como é o caso do fantasma em Hamlet, as bruxas em Macbeth ou o carácter distorcido de Ricardo III na peça com o mesmo nome.

“Mas as aparências iludem e nem todos os Góticos são seres soturnos. Existem uns que gostam de praias, outros não (se calhar porque virão em algum Drácula ou leram num livro que não se podia apanhar Sol), o ser triste e melancólico, faz parte de estados de espírito e nem sempre nos sentimos alegres ou felizes, embora conheça uma pessoa ou outra que é o expoente máximo da alegria e da despreocupação! Mas se a maioria continuar a acreditar nisso e a mensagem passada for essa, a idéia tem tendência a aumentar”, confessa Sara Patrão. Como em todos os grupos sociais, alguns não sabem colocar limites às necessidades teatrais. “Há sempre quem caía em exageros. Há quem se julgue vampiro. Há quem se entusiasme e ande de espada em pleno metrô. De fato há pessoas que não sabem colocar limites, e talvez sejam estas situações a causa dos tais preconceitos que existem e que marcam pelo exagero o movimento Gótico”, diz Vanessa Virgílio.

A reforçar a idéia, Sara Patrão destaca a “maturidade para criar e desenvolver projetos, parcerias. Saber se é aquilo mesmo que se quer fazer, sentir que é esse o caminho. Se cada um continuar a pensar que vestido vai usar na próxima festa, ou que CD vai comprar para ter mais que o amigo da tribo não vamos a lado algum… E o chocar por chocar também não vai ajudar. A estratégia é a união.” A verdade é que há nas reuniões de “gente vestida de negro” uma alegria e romantismo que se reflete metaforicamente através da lua. Em jeito de desabafo, Sara Patrão afirma: “A sociedade gosta de me “apelidar” de Gótica. Eu prefiro apelidar-me de ultra-romântica, mas já me chamaram nomes mais feios! Um tipo vestido de preto é Gótico… Um de branco é o quê?”

Linguagem dos góticos brasileiros reproduz estilo de vida dividido entre o mercado de trabalho e a subcultura

Eles são pais de família, vão à padaria, põem gravata, levam o filho à escola e saem para o expediente. Alguns são até vovôs. Mas não deixam de ser góticos. Com todo capricho que define um grupo urbano marcado pelo sombrio: vestidos de preto na maioria, cultores da noite, com maquiagens dramáticas e um ar melancólico algo irônico, quem sabe dissimulado. A cena gótica, que desde as primeiras importações em 1985 busca afirmar-se no país como subcultura global, típica da dinâmica das grandes cidades, integrou-se à economia de consumo, mas sobrevive sem perder a identidade.

Só na capital paulista estima-se que algo em torno de 6 mil pessoas (as estimativas são falhas e temerárias, dizem os góticos) tomaram para si os sentidos contidos no adjetivo inglês goth, no que ele sugere de vitoriano, sombrio, misterioso, fantasmal, onírico e macabro.

Embora não seja fértil em gírias características, o universo gótico brasileiro tem uma relação por assim dizer “expressionista” com a linguagem. É comum o uso consciente de arcaismos de linguagem ou de um tom premeditadamente pomposo, em sintonia com uma certa atitude teatral no comportamento.

Palavras antigas, citações latinas, saudações arcaicas (como “beijos trevosos”, “beijos sangrentos”, “saudações terrenas” e “lembranças eternas”), além de construções rococós (“Por meio desta vossa senhoria está convidada…”), povoam mensagens impressas e on-line dos góticos. É nesse contexto que se pode entender a popularidade no meio de expressões como carpe noctem, equivalente soturno para a latina carpe diem (viva o dia, em alta desde o filme Sociedade dos Poetas Mortos, de 1989).

A relação dos góticos com o nome próprio assume também valores para a subcultura. Muitos adotam codinomes imaginários, mas é comum ver o nome de batismo vir acompanhado por sobrenome que remeta a uma música ou cantor de uma banda do gênero. Proliferam, assim, sobrenomes como Bella Morte, Wolf, Manson. Ou prenomes formados por títulos aristocráticos que aludem vagamente ao romantismo vitoriano, como Lord, Marquês ou Lady (o codinome Deusa é a moda do momento).

Espírito de época

Não há óbvia relação desta subcultura com a escola estética do Romantismo do século 18, virada para o 19. Muito menos com os godos da Antiguidade, e é duvidoso que algum gótico se identifique de fato com o espírito renascentista que inspirou catedrais como as francesas Notre-Damme, Chartres e Saint Denis.

“O gótico é uma subcultura formada por quem não alimenta ilusões de que a sociedade seja boa, nem que seja possível estar contra ela. Por isso, cria um espaço em separado em sua vida. É uma visão critica, mas ao mesmo tempo escapista” – diz o ilustrador gaúcho Henrique Antonio Kipper, de 36 anos.

Gótico desde que chegou a São Paulo em 1990, Kipper acredita que a subcultura há muito ultrapassou o limite efêmero que data e enterra as modas passageiras.

“O gótico dos dias de hoje é um ser anfíbio, que sofre a pressão para ingressar na sociedade de consumo quando completa 21 anos. Nem sempre se conciliam essas coisas. Mas há um “núcleo duro” que mantém a integridade de “subcultura”, algo que não é movimento com um ideário político, mas tampouco é só a moda da estação” – confirma Kipper, que é casado, pai de um menino de 14 anos.

A caricatura mais frívola costuma povoar o imaginário dark com modelos e ícones que restringem o gótico à cultura de cemitérios e crucifixos e a jovens frívolos e preocupados com a aparência. O chamado “núcleo duro” do gótico nacional, no entanto, viu muitos adolescentes renovarem as gerações góticas a cada cinco anos e, do entusiasmo de primeira hora, desistirem da subcultura quando ingressam pra valer no mercado de trabalho. À sombra desse público rotativo, muitos fizeram do comportamento gótico sua razão de ser e vivem a vida “anfíbia”. Só em São Paulo, estima-se que mil pessoas formem esse “núcleo duro” do gótico de raiz. Ao contrário de góticos de outros países, o brasileiro seria anfíbio por alternativa de mercado, desconfia o publicitário André Scarabotto, o Lord A, de 28 anos.

“No exterior já há um mercado melhor definido, em que os góticos podem ser profissionais dentro da própria subcultura. Trabalham em lojas de roupas, produção de clipes e revistas, estúdios de gravação para bandas do gênero”.

No Brasil, o gótico teria se tornado mais anfíbio por, em resumo, não poder ser gótico o tempo inteiro. Lord A diz que convive com todo tipo de profissional gótico, como bancários, engenheiros, advogados e médicos.

“O gótico brasileiro é um descontente com esse mundo sintético, desumanizado, onde a sociedade deixa a gente se sentir mal até quando você não se encaixa em rótulos. Ele reage a isso, cria uma vida à parte, mas, como não tem jeito, vai trabalhar no dia seguinte”.

Glocal

Surgido na Inglaterra, exportado para a Europa continental, depois para os EUA e de lá para o Brasil pós-ditadura militar, o gótico assumiu traços locais, apesar do internacionalismo ser uma de suas tônicas (um gótico búlgaro lembrará muito um brasileiro ou inglês). Kipeer acredita que uma característica lusa muito forte, a sensação de nostalgia, encontrou forte acolhida no Brasil. “Mesmo antenados e bem informados, muitos por aqui tendem a curtir mais as fases antigas do gótico do que as novidades. A sensação de que houve um paraíso perdido, uma necessidade de volta ao passado, está menos contida nas tendências góticas que imaginam um futuro tecnológico decadente” – comenta Kipper.

Mas não há definições claras sobre o estado de ser de um gótico. Haveria menos um sistema de regras para caracterizar alguém como gótico, do que um de tabus. Os integrantes da subcultura gótica em muitos casos relegam, na boa, temas considerados recorrentes, como a bruxaria, o vampirismo e o culto a mortos-vivos.

A sensação de desajuste, o apelo à vida subterrânea, parecem ser tão definidores do gótico como o apreço por símbolos recorrentes (lua, noite, inverno, outono, etc.), por decadência, pelo expressionismo alemão, pelo terrir de si mesmo e o gosto por tudo o que lembre uma obscuridade otimista. Poucos grupos parecem buscar tanto o guarda-chuva de um rótulo para reafirmar a agonia de ser enclausurado por ele. (Colaborou LCPJ)

Palavras e expressões góticas

Mexerica

É algo “típicamente gótico”. Pode ter a conotação de “exagerar” ou ser “afetado” no comportamento, linguajar ou visual gótico. Gíria já antiga na cena gótica brasileira, usada tanto de forma carinhosa como pejorativa. Pode querer dizer que algo é “estereotipadamente gótico, tanto para o bem como para o mal”. Considera-se que todo gótico tem seu momento mais “mexericoso”.

Wannabe

Equivalente a “querer ser” em inglês. Significa alguém novo no meio, que ainda está aprendendo ou ainda não sabe muito. Dependendo da pessoa que usa o termo, pode ser usado no sentido positivo ou, mais comum, como crítica discriminatória.

Thru

Para os veteranos, é o nome de quem já era do meio antes da moçada mais nova virar gótica. Expressão oriunda do universo dos metaleiros. O thru seria o “mais verdadeiro”, “mais real”.

Carpe Noctem

Um trocadilho. “Aproveite a noite”, variação gótica para “carpe diem”, antigo lema latino hedonista, propagado no país depois do filme Sociedade dos Poetas Mortos.

Vampyro

A palavra “vampiro” é grafada com y propositalmente, para distinguir seus membros do personagem cinematográfico e folclórico. A subcultura vampyrica teria a pretensão confessa de compartilhar pressupostos do existencialismo.

Catar uva

Nomeia um tipo de dança chamado “etereo”, num estilo que permite passos e gestual que lembram vagamente o movimento de catar uvas no ar. Usada com ironia, a palavra pode significar que alguém desatento repentinamente “pescou” idéias no ar.

Limpar teia de aranha

Modo de mover os braços quando se dança, como se afastasse teias no ar. Ironicamente empregado no sentido de “desatualizado”.

Antes de sair à noite, não esqueça os óculos escuros

Baladeiro, o gótico se diverte por toda a noite e deve estar prevenido para que o sol não lhe doa a vista, ao sair dos encontros góticos pela manhã. A frase também alude a um dos fetiches das bandas do gênero, o vocalista de óculos escuros.

Sobrenatural de Almeida

Tradição gótica se filia à literatura romântica com mais facilidade do que com indevido parentesco com os godos antigos. É unânime entre os membros do grupo que o termo “gótico” surgiu a posteriori, depois que as primeiras manifestações da subcultura começaram a tomar forma, nos anos 70 e 80. Com significados particulares em diferentes períodos históricos, a apropriação do termo pela geração dos anos 80 encontrou eco no ideário difundido pelos romances e dramas britânicos publicados entre 1764 e 1820, também conhecidos como Gothic Novel, por seu caráter fantástico.

Remetem a uma atitude espiritual trazida pelo Romantismo entre a metade do século 18 e início do 19 que iria solidificar uma postura em defesa da liberdade de sentir e se expressar, condenando o absolutismo político, religioso, social e estético. Ambientado inicialmente na Alemanha e Inglaterra, o movimento romântico vai espalhar pelo mundo uma nova postura, pautada no pessimismo, na embriaguez e fuga da realidade, e, fortemente, no elemento fantástico, principal referência para a subcultura gótica e suas variantes mais recentes.

Para Cid Vale Ferreira, de 27 anos, autor de Voivode – Estudos Sobre os Vampiros e editor do site Carcasse, referência em ciberpesquisa sobre essas subculturas, o elemento sobrenatural foi fator importante na criação dos romances e dramas que tinham na superstição medieval e no humanismo trágico suas principais fontes.

“Na própria Inglaterra, uma das mais populares correntes do romance gótico baseava-se no chamado ‘sobrenatural explicado’ (à Ann Radcliff, com ‘assombrações’ forjadas ou apenas aparentes), que, levemente reformulado, daria origem ao ‘romance histórico’ do século 19. Na França, a ambientação de tramas tipicamente góticas no submundo urbano culminou no ‘romance social’ à Eugène Sue. No Brasil, temos no byronismo uma infinidade de obras de teor fatalista e macabro sem qualquer alusão ao sobrenatural”.

O elemento fantástico, que inspirou os contos do americano Edgar Alan Poe ou o Frankenstein, de Mary Shelley, estaria presente na simbologia da subcultura gótica, comumente associada à noite, às práticas místicas, ao culto à morte ou a seres de natureza ficcional soturnos, como vampiros e bruxas, sem, no entanto, explicar em definitivo seus múltiplos aspectos.

“Muito do que podemos adjetivar de “gótico” tem no gótico inglês setecentista apenas seu impulso inicial. A estética em si, com seus peculiares conceitos de beleza e sublimidade, sobrevive com ou sem o elemento sobrenatural, com uma incrível capacidade de se adaptar aos tempos e culturas em que se inscreve.”


16 Respostas to “Matérias”

  1. venicios meu nome eu gosto do escuro dark nao mi assombra

  2. A tristeza e melancolia aparente extena do “Gótico” muitas vezes, nao quer dizer q seja realmente tristeza e melancolia e sim o Amor a uma alegria tamanha q nao conseguimos colocar para fora de uma forma comum, somos adeptos a arte, literatura e a música e com certeza conseguimos nos expressar melhor assim.A noite nos inspira a calma dos semiterios e do escuro é muito inspirador conseguimos exergar a arte na escuridao e reconhece-lo na obscuridade do alem.Ser “Gótico” é semear e cultivar o amor eterno dentro de si.

  3. nao venho responder a nada , vim apenas dizer que gostei do que aqui li nesta pagina ,esta bem diverseficada.

  4. eu adoro o preto, o escuro e adoro mortos.

  5. Adorei o site, muito bem feito. Parabéns!

    Gostaría de saber onde posso fazer o download do livro “GOTH CHIC” – Gavin Baddeley, mencionado no texto. Procurei, mas não consigo achar.

    Obrigada desde já. ^^

    • Claro estarei colocando para download imediatamente …. abç

      • eu concordo com vc….
        exatamente assim me sinto…
        a noite e realmente apaixonante…
        pena que por ser assim,a um de nos que acabam sofrendo preconseito
        ou coisa pior….

  6. a coisa mais bela que encontra ea escuridão pois ela acalma , apaixona
    com ela podemos ser nois mesmos ” o noite maravilhosa que me encanta e me faz viver”.

  7. Muitoooo fodaaaaaa.. adoooooooooooooooooooooooooooogo!! uhuuuuuuuLLLL

  8. gostei muito parabens

  9. obscura criatura
    que me amas a noite
    e me matas com a luz do dia

  10. adorei este site eu tambem sou uma gotica

  11. adoro vampiros mortos e cemiterios bjs

  12. parabens esse site é muito legal bjs

  13. Muito bom o post jeferson abracos amigo ass; Tilico

  14. muito maneiro

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